Palavras de vida
ouvi de Sua boca.
Tomaram forma:
as vogais,
chamando a luz à existência;
as consoantes,
ordenando o sopro vivente.
E do encontro
entre voz e silêncio,
fez-se um clarão de poesia.
E foi a luz aos olhos,
o sopro ao peito,
e a vida chamou-se pelo Nome.
.
De pátria vergel,
comandando fauna e flora,
Adão e Eva fizeram-se expatriados.
Do Éden à gleba e ao páramo.
Longe do Éter,
réus de um dossel corrompido,
horto de labor e corpos sem glória.
Vestes de peles
a cobrir o rubor de mácula —
fruto germinado no paladar de fel insidioso.
“É verdade o que Deus disse?
Certamente não morrerão!
Sereis como Deus.
Conhecerão do bem e do mal.”




Quando a poeta pega da pena e, num arroubo lírico, dedica seus versos ao próprio criador, de quem provém toda inspiração, a beleza é assombrosa. Gostei muito de como você cantou a queda, Gabriela. Entrou na lista dos meus favoritos.
A "queda" narrada de forma tão bela não parece queda, mas, sim, um espetáculo cósmico. Lindos versos!