Lanchonete
Eu te amo, Bruno.
Passos largos
Contra a rua
Contra o tempo
Desvio de poças
Passa um carro
Me joga lama
Calça suja
Lamaçal
Suor se mistura
Com os pingos de chuva
Temporal
E ninguém abranda
Ninguém suspende o relógio
Mas de repente
Você aparece
Me sequestra da fuga
Imaginária ou real
Me pega pela mão
Atravessa comigo
O resto da pressa
Uma lanchonete velha
Luz amarela
Vidro embaçado
Um lanche bom
Guardanapo fino
Riso fácil
E, lá fora,
a cidade ainda corre —
Mas aqui dentro
o tempo mastiga devagar
a sobremesa.



Achamos um no outro — também na lanchonete, mas principalmente um no outro — um núcleo de segurança e ternura em meio a um mundo caótico, tomado de frio e chuva. Que momento bonito. Obrigado por imortalizá-lo nos seus versos, Gabriela. Eu te amo muito.