Três
Poemas
Pitanga
Fruta carnosa,
sabor quente.
Sua terna doçura,
se sente.
Cor de barro,
suco de gente.
Tuguî
Meu Adão
Feita de tua costela
Moro em ti
parte tua
Encaixe perfeito
tua mão na minha
Pele mesclada
sangue de terra
Tuguî
Porang
Abaporoanga
Meu sentinela
Vento sob minhas asas
Estou sempre a sua espera
Minha lança
Minha dança
Minha sede
Minha rede



Belíssimos poemas, Gabriela! Gostei muito do uso que você fez do vernáculo indígena, mesclando-o da forma mais orgânica e saborosa com a língua lusitana. Fico todo empolgado: é a primeira vez em meses que recorro ao meu dicionário Tupi–Português.
O nome da fruta, "pitanga", vem de "ybá-pytanga": fruto avermelhado. "Tuguî" é sangue. "Porang" é bonito. "Abaporanga" é homem (abá) bonito (porang). Maneiro demais!